Testemunho: Florisvaldo Cardoso de Albuquerque Neto – Estudante do Curso de Direito

 

 

Tive uma infância das melhores que se pode ter, mas ao mesmo tempo sofri traumas psicológicos como a discriminação e abusos que, pensava eu, não teria remediação, ou seja, iria sofrer com eles até o fim de minha vida. Corri pelas ruas descalço e tomei banho de rio, uma infância digna dos mais belos filmes. Até hoje ainda não tinha percebido que essa infância que mencionei definiu-me até os dias atuais, porém os contras causados pelos abusos e discriminações que essa mesma infância me trouxeram foram também devastadores, o que também me definiu pelo medo excessivo e pela introspecção extrema. A grande questão é que até os dias de hoje eu só percebia que o que me definia eram as coisas ruins que “sofri”, quando, na verdade, eu sofria a influência dos dois. Tinha me tornado uma pessoa melancólica, insegura e de baixa autoestima.

 

Quando cheguei ao escritório da COTEFAVE encontrei um cenário meio que antagônico, um padre de barba grande, vários fotos de Che Guevara na parede, o que me fez pensar: esse padre deve ser muito doido! Porém, com o tempo percebi que aquele senhor de barba grande e meio impaciente não era somente o Diretor da Fazenda ou um padre convencional, era acima de tudo um amigo, e dos grandes, que me acolhe desde o dia em que me atendeu pela primeira vez até os dias de hoje, em todas as horas que preciso. Ao tempo em que entrei, há 10 meses, meu conhecimento sobre a doença que me acomete era pouco, quase nulo.

 

Com o tempo, a convivência com meus companheiros e o trabalho feito pelos psicólogos (Tiago, Isabel e Talita), pela psicopedagoga (Alcione), bem como a amizade e confiança que o Pe. Edilberto e o Coord. Joadson Menezes depositaram em mim foi me trazendo a consciência, pouco a pouco, de que eu não tinha um desvio moral ou mesmo de caráter, mas sim uma doença – a adicção – que, infelizmente, ainda não tem cura, porém tem tratamento. Hoje posso dizer que conheço a mim mesmo, sei de todas as minhas potencialidades e sei lidar com meus medos. Agradeço a todos que contribuiram e contribuem para que esta grande obra da COTEFAVE, cujo fundamento outro não é senão o resgate de vidas (dentre elas a minha), funcione.

 

Agradeço a Deus, à Nossa Senhora da Sobriedade, ao Pe. Edilberto Amorim e Joadson Menezes (hoje grandes amigos), ao meu irmão e amigo de todas as horas Gutemberg Macedo Junior que me ajuda e entende por todos esses anos de convivência, à minha amiga irmã Cristiane Cardoso, à minha família, a meu tio Edmundo que me inspira com sua prudência, ao meu padrinho Luciano, à minha confidente Conceição, à simpatissíssima Cida, à Bete e a todos os residentes que me ajudaram com suas experiências de vida, ao NA e a todos que fazem com que a COTEFAVE aconteça. Amém.

 

 

3 respostas para “Testemunho: Florisvaldo Cardoso de Albuquerque Neto – Estudante do Curso de Direito”

  1. lana disse:

    Neto, querido

    O seu testemunho aqueceu o meu coração numa manhã cinza e fria. Fico feliz de te encontrar tão bem e seguro da sua crença no poder de DEUS e em tudo que dele deriva. Acreditar sempre!
    Abraços
    Lana

  2. Dulci disse:

    Nego, o que me alegra nisso tudo é que voce agora consegue falar, expor, botar pra fora tudo isso que voce carregava sozinho e calado. Isso é muito positivo, é encarar de frente o que te fazia infeliz, inseguro, com medo e fugindo sempre de tudo. Agora não, voce encara de frente o monstro que te atormentava mostrando assim que voce é mais forte e que pode enfrentar e resolver estas questões que te atormentou muitos anos. Aí, fica a lição de que de agora em diante será menos dificil enfrentar suas dificuldades, o importante é ter sabedoria e coragem para resolve-los.
    Beijos
    Du

  3. maria de lourdes carvalho disse:

    Lindo! Maravilhoooooooooooooooooooooooooooso1 Parabéns! Que Deus te abençoe!
    Beijooooooooooooooooooos

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